Mazagão está situada a pouca distância da foz do Rio de Morbeia chama-se hoje em dia El-Jadida. Em 1486 ficou como protectorado da Coroa Portuguesa, e algum tempo depois, um chefe local pediu mesmo a D. Manuel I para levantar uma fortaleza, para proteger os seus aliados. De facto Mazagão foi doado a Jorge de Melo, em 1506, ficando este com um encargo de construir aí uma fortificação. Só foi abandonada por Portugal em 1769.
A construção aqui do primeiro castelo foi considerada uma prioridade pela Corte. Francisco e Diogo de Arruda escreveram ao rei, a 31 de Março de 1514, dizendo que tinham tudo pronto para começarem as obras; o que fizeram mantem-se, posto que sob uma espessa camada de reboco recente. Terminada a obra manuelina não parece terem sido feitos grandes melhoramentos em Mazagão até 1541. Nesse ano novas obras projectadas por Benedito de Ravena, e a primitiva fortaleza, que tinha planta quadrangular, foi aproveitada para diversos fins: celeiros, o tronco ou prisão e armazéns. Na praça de armas João de Castilho construiu a fantástica cisterna abobadada que ainda se pode ver.
A obra de fortificação planeada por Benedito de Ravena e construída sob as ordens de João de Castilho, à frente de 1500 homens, revelou-se excepcional. Mazagão ficou uma fortaleza a que poderíamos chamar de planície, mas com a vantagem de ter três lados defendidos pelo mar, no todo ou em parte, onde podia haver uma armada permanente, e por um fosso imponente, numa área plana que não dava margem a ataques de surpresa. Os baluartes são todos diferentes, o seu desenho não é regular como os teóricos da arquitectura militar renascentista propunham, mas estão adaptados às funções que aqui tinham e também conformados à estrutura do solo em que assentavam que não é homogénea. O desaparecido baluarte da porta de terra era muito mais pequeno do que os restantes, fazendo-se a entrada em cotovelo como era hábito desde a Idade Média nas torres de tradição muçulmana. Os baluartes estão ligados por um largo adarve a que se tem acesso do interior da praça por amplas rampas, mas todos eles podiam ser fechados em caso de entrada do inimigo dentro da vila, tornando-se verdadeiros castelos autónomos. Para além deste dispositivo havia uma rua ampla a toda a volta da praça, que completava este sistema de circulação, mas não é de menor importância a possibilidade de acesso directo entre as portas de terra e do mar através de uma via larga e estruturante sem qualquer entrave, a chamada Rua da Carreira
Não se pode esquecer a extraordinária obra de arquitectura que é a cisterna de Mazagão, trabalho que talvez não estivesse nos planos dos engenheiros da Junta de 1541, mas que João de Castilho fez logo de seguida, aproveitando o espaço da praça de armas do velho castelo manuelino.
Conservam-se também duas construções de cariz religioso: a igreja de Nossa Senhora da Assunção, e a igreja de São Sebastião, no alto do baluarte com o mesmo nome.
(texto do site http://www.7maravilhas.sapo.pt, fotos minhas)
Conservam-se também duas construções de cariz religioso: a igreja de Nossa Senhora da Assunção, e a igreja de São Sebastião, no alto do baluarte com o mesmo nome.
(texto do site http://www.7maravilhas.sapo.pt, fotos minhas)
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